14.2.18

DO AMOR



Uma história de amor pode ser a de "O Principezinho". É um tratado de alma. É um cativar. "Eu não preciso de ti e tu não precisas de mim, mas se tu me cativas nós precisaremos um do outro". E sempre que não amamos, é porque o intelecto interferiu na escolha!

O Amor é entrega, doação. É darmos a nossa parte que acredita, que investe, que suaviza, que partilha, para também nós nos completarmos.

Valemos pelo que pensamos, sentimos e somos, pelo que cativamos e deixamos cativar. Temos necessidade de amar, e até o mais intrépido tem dentro de si um lençol freático onde crê, mesmo que não apreenda no esgazeamento de existir, essa capacidade de amar e de dar.

É o Outro a chave da existência. É o Outro que lhe confere significado e, por isso, é no Outro que nos realizamos. No fim, é sempre o Amor que vence, mesmo que chegue sofrido. Porque foi amassado no coração do homem, simultâneamente pedra e pétala.

Precisamos de nos sentir amados, e é por isso que só o Amor dá razão à existência!

12.2.18

A MÁSCARA E O CARNAVAL

Não ligo particularmente ao Carnaval, mas como tudo, este dia como interregno lúdico e livre que é, não passa da representação de uma sociedade no que seria se se declinassem as normas.
 
A máscara tem o sentido catártico de uma disciplina socialmente imposta. As personagens que representamos, confundem-se no real e no imaginário, porque tanto somos aquilo que pensamos ser, como as personagens que apenas pensamos representar.

 
Neste nevoeiro do conhecimento todos os dias temos... os mais variados corsos, onde o papel principal é sempre o nosso. Daí que o dia de carnaval seja hoje uma mera festa pública, porque a verdadeira, a genuína e formal, é aquela em que os carros alegóricos (pessoais ou colectivos) passam todos os dias por nós.

 
Entre a defesa e a hipocrisia, entre o real e o intencional, as máscaras são produto de personalidades prensadas no despotismo de muitos. Neste aspecto valorizo os simples, a simpatia do riso, a desresponsabilização salutar por tantos males do mundo! E esses sim, sabem brincar. Sem precisar de corsos ou trajes forçados. O homem médio é, sem dúvida, o mais feliz. E não penso que a catarse lúdica deva concentrar-se num dia colectivo que é o carnaval. É muito bom brincar, mas se é carnaval, esperemos que tempo haja para não brincarmos às guerras. Ainda que aquelas onde as próprias pessoas são os campos de batalha...

 
De resto, a brincadeira despreconceituosa e simples do quotidiano, o humor e a alegria, são imperativos, numa sociedade tão dada ao formal, ao poder, ao status e ao dinheiro, como se apenas legitimassemos o ar pomposo e descredibilizássemos a simplicidade do ser. Sou dos que liga muito pouco à quotização intelectual e ao socialmente correcto! E quanto mais verifico isso nos outros, mais me afasto deles!

 
Bom carnaval!